A Dacriocistorrinostomia (DCR) é a cirurgia que corrige a obstrução baixa das vias lacrimais. Trata-se de um procedimento cirúrgico da dacriocistite crônica e aguda após seu tratamento clínico com antibiótico. Pode ser realizada por via externa ou nasal.

A dacriocistorrinostomia (DCR) externa é a técnica mais difundida para o tratamento das obstruções da via lacrimal. É uma abordagem que garante melhor resultado, uma vez que todas alterações decorrentes da dacriocistite (como dilatação de saco lacrimal, sinequias, retenções etc.) são diretas. Em casos de saco lacrimal atrófico, também são mais indicadas porque, quando se utiliza a técnica de dois retalhos anteriores de mucosa, a aproximação para a sutura fica facilitada. A anastomose formada por um teto de mucosas terá menor possibilidade de bloqueio por tecido cicatricial; como na endonasal se faz apenas a remoção de mucosa e osso, a chance de fechamento do óstio cirúrgico será naturalmente maior. A DCR externa é menos dependente de aparatos como o endoscópio nasal, intubações com silicone o que a fazem ser de menor custo ao paciente e ao hospital. A experiência mundial com a técnica de DCR externa é muito vasta e bem documentada na literatura médica. Os trabalhos incluem amostras grandes e seguimento prolongado, revelando excelentes resultados.

O único inconveniente da técnica por via externa é a cicatriz no canto medial inferior do olho, porém é bem relativo. A cicatriz é de menos de 1 cm e pode ser bem camuflada em pacientes brancos e negros e principalmente se estão acima dos 40 anos de idade. Apenas pacientes orientais jovens com a base do nariz baixa que teriam cicatriz mais aparente.

O acesso cirúrgico através da cavidade nasal também é útil e tem sido usado com maior freqüência graças ao desenvolvimento da endoscopia nasal. Geralmente realizada por uma parceria entre o oftalmologista e o otorrinolaringologista, tem a vantagem de não apresentar cicatriz na pele. Porém muitas são as contra indicações da via nasal. Pacientes com o saco muito dilatado e ocasiões onde houve inflamação a abordagem externa é mais garantida para melhores resultados. Pacientes que apresentem alterações nasais associadas (como desvio de septo) ou já se submeteram a DCR externa sem sucesso tem vantagem em realizar a abordagem via endonasal. Determinadas condições dificultam ou, até mesmo, impedem a remoção óssea via endonasal. Isto ocorre em casos de maior espessamento ósseo, como em osteomas, fraturas e indivíduos da raça negra. A presença de célula etmoidal geralmente é detectada apenas durante o ato cirúrgico e somente uma tomografia computadorizada poderia revelar previamente a sua ocorrência. Portanto, toda indicação de DCR endonasal impõe a exploração radiológica da área da osteotomia para verificar a viabilidade de sua realização. A anestesia mais segura para o procedimento é a anestesia geral, uma vez que a via aérea fica protegida de possíveis sangramentos e o paciente não tem o risco de aspiração. Porém em casos especiais, a sedação com anestesista e infiltração local pode ser realizada.

 

SBCPO

Dr. Allan C. Pieroni Gonçalves

Dr. Allan C. Pieroni Gonçalves

Oftalmologista - CRM-SP 97.336

Oftalmologista especialista em Cirurgia reconstrutiva, reparadora e cosmética das Pálpebras, Vias Lacrimais e Órbita.