O diagnóstico das doenças orbitárias consiste em um grande desafio tanto no adulto e principalmente na infância. Nenhuma outra parte do corpo com dimensões semelhantes apresentam tamanha variabilidade de enfermidades como a órbita. Essa grande variedade deve-se às múltiplas estruturas anatômicas contidas nessa cavidade serem provenientes de todos os folhetos embrionários. As estruturas contidas na órbita podem sofrer várias alterações durante seu desenvolvimento ou mesmo processos inflamatórios, neoplásicos, degenerativos e funcionais. Suas manifestações clínicas são bastante heterogêneas, dificultando o diagnóstico.

Basicamente podemos dividir as doenças orbitárias não traumáticas em:

  • Infecciosas: celulites, micoses e parasitárias.
  • Inflamatórias: inflamações específicas e inespecíficas e a orbitopatia distireoidiana.
  • Vasculares: Hemangiomas da infância, má formações vasculares arteriais ou venosas, linfangiomas, shunt arterio-venoso, hemangiopericitoma etc
  • Anomalias estruturais: Cístos dermoides ou epidermóides, mucocele, microftalmo com cisto, encefalocele etc
  • Tumorais: primários como os de glândula lacrimal, sarcomas, osteomas, neoplasias do nervo óptico e secundários como leucemias, linfomas e metástases a distância ou por contiguidade.

A frequência relativa das doenças que acometem a órbita variam consideravelmente entre autores. Mas o conhecimento da prevalência das doenças nas diferentes faixas etárias pode ser útil no processo investigativo diagnóstico. As principais doenças orbitárias na infância são estruturais ou neoplásicas, diferente do adulto onde mais da metade dos casos são de causas inflamatórias. Na infância, as lesões vasculares também tem importância principalmente em relação aos hemangiomas infantis palpebrais que também acometem a órbita assim como os linfangiomas. Dentre as doenças infecciosas as crianças são as mais comumente acometidas pelas celulites orbitárias secundárias a sinusites dos seios maxilar ou etmoidal. As causas tumorais na infância são variadas, mas dentre as benignas podemos citar como mais frequentes os gliomas de nervo óptico e como malignos o rabdomiossarcoma.

Dr. Allan C. Pieroni Gonçalves

Dr. Allan C. Pieroni Gonçalves

Oftalmologista - CRM-SP 97.336

Oftalmologista especialista em Cirurgia reconstrutiva, reparadora e cosmética das Pálpebras, Vias Lacrimais e Órbita.