Orientações para retomada de atividades em Oculoplástica, por Midori Hentona Osaki (Vice-presidente SBCPO 2020/2021).

CLÍNICA OU CONSULTÓRIO

Rotina de serviço:

  • O agendamento de consultas, exames e cirurgias eletivas deverá ser reduzido e mais espaçado para evitar aglomerações;
  • Inclusão de questionário simples sobre estado de saúde do paciente/acompanhante (se teve febre, dor no corpo ou tosse no período de 15 dias anteriores ao dia do agendamento) ou se paciente teve contato com caso suspeito ou confirmado de COVID-19;
  • Médicos, técnicos de enfermagem e pessoal de apoio devem obrigatoriamente fazer uso de EPIs;
  • É recomendável que médicos e funcionários sejam vacinados para Influenza A (H1N1), Influenza A (H3N2) e Influenza B.

Importante: Muita atenção durante a remoção dos EPIs, para evitar possíveis contaminações.

Recomendações para recepção e área de espera dos pacientes:

  • Disponibilização de álcool gel para pacientes, acompanhantes e colaboradores (solicitar que os pacientes e acompanhantes higienizem as mãos ao chegarem);
  • Solicitar que cada paciente preferencialmente venha sem acompanhantes. Para aqueles que necessitem de acompanhante, orienta-se que leve apenas 1;
  • Intensificação da rotina de higienização das salas de espera, dos consultórios e salas de exames;
  • Acomodação dos pacientes de maneira a manter a distância de segurança recomendada em locais fechados (pelo menos 1 m de distanciamento);
  • Uso obrigatório de máscaras por todos no recinto, enquanto durar a pandemia;
  • Recomenda-se manter as janelas abertas e o ambiente o mais arejado possível.

Na sala de consulta:

  • Uso de EPIs em TODOS os atendimentos (com ou sem suspeita de COVID-19);
  • Lavar frequentemente as mãos com água e sabonete. Alternativamente, higienizar as mãos com álcool líquido ou em gel 70%;
  • Salas e instrumentos devem ser higienizados com álcool 70% após o atendimento de cada paciente;
  • Usar protetor de acrílico na lâmpada de fenda e refrator;
  • Dar preferência a realizar oftalmoscopia indireta ou biomicroscopia de fundo. Não realizar oftalmoscopia direta.

No centro cirúrgico:

  • Minimize o número de funcionários na sala cirúrgica para o número essencial. Evite observadores nesse período;
  • EPIs para toda a equipe do centro cirúrgico;
  • Maior espaçamento entre cirurgias;
  • Admissão pré-operatória no mesmo dia (evitar admissão no dia anterior);
  • Prefira anestesia local sempre que possível;
  • Procedimentos que geram micro-aerossóis, como cirurgias sob anestesia geral, devem ser evitados, a menos que sejam considerados de urgência;
  • Idealmente, pacientes cirúrgicos que necessitem de anestesia geral ou de procedimentos que utilizam broca/serra óssea devem ser testados para SARS-CoV-2 antes da cirurgia;
  • É sugerido o uso de campo cirúrgico estéril DESCARTÁVEL cobrindo toda a face do paciente.

Medidas no CC para Cirurgia de Vias Lacrimais:

Diversos estudos publicados consideram as cirurgias eletivas de vias lacrimais intervenções de alto risco, pois estão associadas à produção de aerossóis, e relatam a interrupção destas em diversos serviços durante a pandemia de COVID-19. O exemplo clássico que demonstra o aumento do risco de transmissão após procedimentos endonasais é o relatado em Wuhan, onde 14 pessoas da equipe envolvida contraíram a doença após cirurgia de paciente infectado.

Assim, a retomada de procedimentos lacrimais e de endoscopia nasal deve ser avaliada com cautela para reduzir o risco de transmissão para toda a equipe envolvida.

Recomendam-se cuidados redobrados em campo cirúrgico e um gerenciamento especial das salas cirúrgicas:

  • Salas de cirurgia com pressão negativa, com filtro HEPA, , durante os procedimentos cirúrgicos com geração de aerossóis e anestesia geral;
  • Protocolos padrão de assepsia no centro cirúrgico com limpeza adicional de todas as superfícies;
  • Esterilização padrão de endoscópios e instrumentos;
  • Evite atomizadores / sprays de descongestionantes nasais;
  • Recomenda-se PVP-I de 0,4 a 0,5% para irrigação perioperatória da mucosa nasal e oral;
  • Irrigação lacrimal usando preferencialmente cânulas retas de calibre 25 ou 27, acopladas a uma seringa de baixo volume, por exemplo, de 1 cc. Isso reduziria a força para empurrar o fluido e a subsequente geração de aerossóis. O risco é aumentado especialmente naqueles pacientes com obstruções da drenagem lacrimal;
  • Evite incisões assistidas por radiofrequência. Prefira lâmina fria durante a pandemia;
  • Minimize o uso de sucção na cavidade nasal, já que qualquer manipulação da mucosa respiratória pode elevar o risco de geração de aerossóis durante a irrigação lacrimal. O vírus da COVID-19 pode permanecer no ar e pode contaminar várias superfícies na sala de cirurgia.

Importante: Essas recomendações não substituem as respectivas diretrizes governamentais ou institucionais.

 

Referências:

  1. Kowalski LP, Sanabria A, Ridge JA, et al. COVID-19 pandemic: Effects and evidence-based recommendations for otolaryngology and head and neck surgery practice. Head & Neck. 2020;42:1259– 1267.
  2. Kaye K, Paprottka F, Escudero R, et al. Elective, Non-urgent Procedures and Aesthetic Surgery in the Wake of SARS-COVID-19: Considerations Regarding Safety, Feasibility and Impact on Clinical Management. Aesthetic Plast Surg. 2020;44(3):1014-1042.
  3. Ali MJ. COVID-19 pandemic and lacrimal practice: Multipronged resumption strategies and getting back on our feet. Indian J Ophthalmol. 2020;68(7):1292-1299.
  4. Diversas Entidades: Orientações para o retorno de cirurgias eletivas durante a pandemia de COVID-19
  5. AAO: Special considerations for ophthalmic surgery during the COVID-19 pandemic
  6. Royal College of Surgeons of England: Recovery of surgical services during and after COVID-19
  7. ASOPRS: Minimize Exposure with Physical Modifications to Your Office

 

Leia também:

Dra. Midori Osaki

Dra. Midori Osaki

Oftalmologista - CRM-SP 38981

Coordenadora Científica da Divisão de Oculoplástica do Departamento de Oftalmologia e Ciências Visuais da Universidade Federal de São Paulo - EPM/UNIFESP. Vice-presidente da SBCPO (gestão 2020-2021). Mestrado pela Universidade Federal de Sao Paulo.