Blefaroptose ou ptose palpebral é a condição em que a margem palpebral, em posição primária do olhar, cobre mais que 2mm do limbo superior. Além de ser um problema estético, a ptose também pode causar restrição do campo visual superior ou oclusão do eixo visual, sendo essa última especialmente grave em crianças, quando pode comprometer o desenvolvimento visual.

Classificação da ptose palpebral

A ptose palpebral pode ser classificada de acordo com a época do aparecimento, em congênita ou adquirida. Em geral, a ptose congênita é decorrente da distrofia (uma má formação) do músculo levantador da pálpebra superior (MLPS). A ptose adquirida pode ser divida em alguns subtipos: aponeurótica, miogênica, neurogênica, traumática e mecânica. A etiologia aponeurótica é a mais comum e ocorre em idosos, como resultado de alterações no tônus muscular e da desinserção da aponeurose do MLPS de sua inserção no tarso.

ptose palpebralDentre as ptoses miogênicas inclui-se a oftalmoplegia externa progressiva, distrofia miotônica, miastenia grave, miopatias mitocondriais. As causas neurológicas abrangem as paralisias do III par craniano, síndrome de Horner, esclerose múltipla, Sd. Guillian- Barré, entre outras. Ptose também pode ser decorrente de iatrogenia ou trauma que lese o músculo levantador da pálpebra superior. Causas mecânicas, como cicatrizes e tumores causam aumento do peso e interferem na motilidade palpebral.  

Durante a avaliação de um paciente com ptose é necessário avaliar a gravidade da ptose e a função do MLPS, parâmetro que indica, em milímetros, a excursão total da pálpebra superior, a partir do olhar para baixo até o olhar para cima, estando o músculo frontal imobilizado. Outros parâmetros importantes são: a resposta ao teste de fenilefrina, pesquisa de fenômeno de Bell, avaliação da superfície ocular (sensibilidade corneana, filme lacrimal).

Tratamento

O tratamento, quando indicado, é cirúrgico e as técnicas variam de acordo com o tipo e o grau de ptose. Os procedimentos cirúrgicos podem ser divididos em 3 categorias. A primeira envolve suspender a pálpebra a partir do músculo frontal e é muito utilizada nas ptoses congênitas, em que há pobre função do músculo levantador da pálpebra superior. Uma segunda opção é a abordagem cirúrgica via anterior, na qual é realizada uma incisão na pele, através da qual é realizado o avançamento da aponeurose do músculo levantador. O terceiro método envolve a ressecção do músculo de Muller, via posterior, através da conjuntiva, sem fazer cortes na pele.  O resultado final será influenciado pelo tipo de ptose, gravidade e função do músculo elevador.

 

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Fundada em 1974, a SBCPO – Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica Ocular certifica cirurgiões especialistas em cirurgias palpebrais, vias lacrimais e de órbita.