Você já pensou em digitalizar o seu cérebro?

Peter Diamandis, pós graduado em medicina pela Harvard e co-fundador da Singularity University, está trabalhando nisso. Em parceria com o guru do autoconhecimento Anthony Robbins, ele pretende criar uma versão de si mesmo em inteligência artificial para testar a ideia de manter viva indefinidamente a sua lógica de pensamento e a maneira de lidar com os desafios do mundo. 

 

Sem querermos ser os céticos de plantão, só questionamos se, a versão de ontem do nosso cérebro já não estaria defasada em relação aos avanços de hoje? As transformações têm sido tão rápidas! Vão surgindo novos vocabulários, modelos e soluções a um ritmo que cérebros desatentos podem simplesmente não acompanhar (imagine os mortos ou “congelados” pela data de download). Ok, a Inteligência Artificial pode cuidar de atualizar o contexto, imputando dados novos ao “cérebro clonado”. Então, para mim, em pouco tempo, deixaríamos de interagir com um cérebro orgânico, mas com uma versão artificial dele.

 

A ideia de transformar humanos em robôs não é mais absurda. Com o avanço da chamada medicina exponencial, wearables vão dar lugar a tecnologias ingeríveis e até implantáveis que, não só, visam monitorar o funcionamento do nosso corpo como melhorar a performance dele. Não deixaríamos de ser humanos por isto. Seríamos super humanos. 

 

A “humanidade aumentada” é o resultado natural da chamada Medicina Exponencial que, através da convergência, multiplica o efeito de todas as tecnologias para cuidar da saúde, curar e até reverter, por exemplo, o envelhecimento das células.

 

Quem joga vídeo game já sabe. A cada fase, fica mais difícil avançar. As ameaças aumentam e a energia do jogador diminui. Algumas poções mágicas podem regenerar poderes. Mas a ameaça do fim normalmente está sempre presente. Estava. De uns tempos pra cá, tornou-se possível vencer o jogo. 

 

Cientistas acreditam que a vida real também pode seguir esse caminho. A exemplo dos consoles, quem estiver vivo nos próximos 50 anos pode desbloquear o poder da imunidade e se tornar imortal, acredita Peter Diamandis. Como? 

 

Ao longo do próximo meio século, ele acredita que novas tecnologias estão se combinando para tornar a medicina menos reativa e imprecisa para tornar-se ativa, à medida em que ganha condições de prever, prevenir doenças e agir rapidamente em tratamentos mais precisos. 

 

O médico Daniel Kraft apresentou um estudo realizado pela Human Longevity Inc. com 1.250 pessoas que acreditavam ser saudáveis e, após uma série de exames, se depararam com os seguintes resultados:

2% delas descobriram ter aneurisma, 2% um tumor em estágio inicial, 3,4% apresentaram algum entupimento cardíaco e uma alta propensão a ter um AVC, 19% foram diagnosticados com moderada calcificação coronariana, 43% com elevada gordura no fígado e visceral. E para surpresa de todos, 14,4% eram casos que exigiam uma ação médica imediata.

 

Qual é a conclusão desta pesquisa? Quando formos capazes de monitorar continuamente a nossa saúde, não teremos uma falsa impressão de sermos saudáveis. As doenças não conseguirão mais se desenvolver silenciosamente no nosso corpo sem serem notadas. Munidos dos nossos acessórios tecnológicos, será mais fácil perceber alterações e corrigir problemas antes que eles se agravem.  

 

Isto significa que a medicina vai se tornar menos humana? Não muito pelo contrário, responde Dr. Daniel Kraft. “A tecnologia tem motivado profundas reflexões sobre o que é ser humano, sobre o que queremos e também sobre o que não queremos. O momento atual tem nos dados a oportunidade, antes ignorada, de tomarmos consciência sobre as nossas escolhas, valores, riscos e possibilidades e isto é valioso!”. Nós temos mais do que nunca a chance de conduzir nossa própria saúde e estender a nossa expectativa de vida. 

 

Além de saber dos indicadores médicos e sinais vitais, algumas atitudes seguem sendo primordiais para alcançarmos longevidade e alta performance. São elas:

  • Manter uma rotina consistente de sono
  • Tomar menos remédios (até alcançarmos a possibilidade de não tomarmos mais medicamentos regularmente)
  • Fazer de 1 a 2 horas diárias de atividade física (aeróbica e musculação)
  • Adotar uma dieta balanceada (em vez de jejuns intermitentes)
  • Reduzir isolamento
  • Minimizar seeking (insatisfação???)
  • Descansar a mente e o corpo uma vez por semana
  • Meditar

 

Para pacientes ou profissionais da saúde, finalizamos este artigo com uma provocação: qual é o seu IAQ ou, já traduzido para o português, Quociente de Adaptabilidade Intencional? Em outras palavras, o quanto você está preparado em suas capacidades para adaptar-se a tantas transformações? 

 

A tecnologia é capaz de tornar extremos tanto aquilo que é positivo quanto o que é negativo. Diante dela, as pessoas costumam se tornar tecnotimistas ou tecnopessimistas, aderindo às novidades sem questionar ou resistindo antes mesmo de tomar conhecimento das consequências (possibilidades ou ameaças) que o avanço pode trazer. Não é preciso tomar partido por um lado ou por outro. É preciso munir-se de conhecimento, informação e de habilidades para evoluir nesse ambiente que pode ser tão complexo quanto fascinante.

SBCPO

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Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica Ocular