Tumores malignos das pálpebras:

1) O que são tumores das pálpebras?

Os tumores das pálpebras são um grupo de lesões que acometem a região das pálpebras. Eles podem ser benignos ou malignos e incluem tumores de células basais (CBC), tumores de células escamosas (CEC) e melanoma.

2) Qual é a causa mais comum dos tumores pálpebras?

As causas relacionadas ao aparecimento dos tumores de pele são multifatoriais. A causa mais comum relacionada ao aparecimento dos tumores pálpebras é a exposição aos raios ultravioleta (UV) do sol, especialmente em indivíduos com pele clara e histórico de queimaduras solares. O envelhecimento também é um fator de risco para o desenvolvimento de tumores pálpebras, o que esta vinculado, ao aumento da longevidade e expectativa de vida.

3) Quais são os tipos de tumores malignos de pele mais comuns causados pela exposição da luz solar?

Os dois principais tumores malignos palpebrais causados pela exposição à luz solar são o carcinoma basocelular [CBC] responsável por aproximadamente 80 – 90% das lesões malignas das pálpebras seguido e pelo carcinomas espinocelular [CEC] responsável por 5—10 % dos tumores malignos das pálpebras.

4) Qual é a diferença do carcinoma espinocelular e o carcinoma basocelular?

O carcinoma basocelular surge a partir de células mais profundas da epiderme chamada de camada basal. O carcinoma espinocelular surge na camada acima da camada basal da epiderme conhecida como camada espinhosa. A formação do carcinoma espinocelular acontece após a exposição solar crônica. Inicialmente pode aparecer uma lesão pré maligna conhecida como ceratose actínica que ao se desenvolver se transforma no carcinoma espinocelular com padrão mais invasivo que o carcinoma basocelular.

5) Porque o carcinoma espinocelular é considerado mais agressivo que o carcinoma basocelular?

O carcinoma Basocelular, na maioria dos casos, tem um comportamento de crescimento lento, e raríssimas vezes evolui com metástases[ somente em torno de 0,01%-0,5%]. Já o CEC é um tumor que pode ter um crescimento mais rápido, tem característica de invasão perineural podendo se espalhar através da inervação e apresenta metástase a distancia em torno de 5-16% dos casos e recidiva local em torno de 8-15% dos casos após tratamento.

6) Existem formas diferentes de apresentação destes tumores nas pálpebras?

Sim. O basocelular por exemplo pode se apresentar como:

  • CBC nodular [54% dos casos periorbitários] comumente acomete a face e pescoço, de aspecto perolado ou translucente, em formato de pápula ou nódulo pequenos vasos proeminentes [telangiectasia].
  • CBC superficial [9,7% dos casos periorbitários] acomete tronco e membros, varia de tamanho porem circunscrita, de aspecto escamoso, áreas vermelhas com telagiectasias finas, com áreas hipopigmentadas com erosão,.
  • CBC forma Morfea [esclerosante, desmoplástico] 5-10% dos casos, normalmente na face e pescoço.
  • CBC infiltrativo [15% dos casos palpebrais] lesão rosada pálida, mal definida endurecida, plana ou em forma de placa depressiva.
  • CBC fibroepitelial, subtipo raro acomete as costas.
  • CBC pigmentado pode estar presente em todas as formas de CBC. Com um exame de dermatoscopia a pigmentação fica mais evidente.
  • CBC micronodular, variante comcaracterísticas simalares ao tipo nodular.
  • CBC basoescamocelular, um raro subtipo compadrão agressivo.

7) O que determina a gravidade do CBC?

O local onde ele aparece e o risco que ele apresenta de de recidivar mesmo após o tratamento.

8) Quais são os fatores considerados de maior risco?

Todas as lesões situadas na face são consideradas de alto risco. Lesões de bordas mal definidas, lesões recorrentes, paciente imunossuprimidos, lesões em áreas onde já foi realizado radioterapia prévia, envolvimento perineural e subtipos agressivos [ex: infiltrativo, micronodular, morfea, basoescamoso, esclerosante e carcinosarcomatoso].

9) O que determina a gravidade do CEC?

O CEC tem uma classificação de gravidade mais ampla que o CBC onde as lesões são classificadas em baixo, alto e muito alto risco. Cada cirurgião deve saber classificar essas lesões para conduzir o caso de cada paciente. Toda lesão na face já é considerada de alto risco, a invasão perineural também é outro fator de lesão e alto risco. O altíssimo risco esta relacionado a uma lesão maior que 4 cm, sem diferenciação celular, SCC desmoplásico e a invasão linfática[Existem outros parâmetro nesta classificação de risco que recomendamos aos interessados a se aprofundarem na literatura citada abaixo].

10) Quais são os sinais e sintomas de um tumor da pálpebra?

Os sinais e sintomas de um tumor pálpebra variam podendo apresentar sintomas leves como o aparecimento de uma pequena lesão com incluir inchaço palpebral, vermelhidão, ou lesões mais evoluídas com dor, dificuldade para abrir o olho e mudanças na textura ou cor da pele da pálpebra. Alguns tumores pálpebras também podem causar sangramento e secreção.

11) Como os tumores palpebrais são diagnosticados?

O diagnóstico de tumores pálpebras geralmente é feito através de um exame físico da região afetada, realizado por um especialista em oftalmologia e com experiência em oculoplástica. O exame pode incluir a coleta de amostras de tecido para análise histopatológica e imuno histoquímica, bem como exames de imagem, como tomografia computadorizada (TC) ou ressonância magnética (RM) em casos de suspeita de infiltração profunda.

12) Quais os tratamentos disponíveis para o CBC e CEC?

O tratamento padrão ouro de cura para os tumores CEC e CBC nas pálpebras é a remoção cirúrgica. Em casos avançados ou quando a remoção cirúrgica completa fica inviabilizada, os tratamentos de resgate com radioterapia e a quimioterapia podem ser indicados. Em casos também de debilidades individuais que contra indiquem a cirurgia a radioterapia ou quimioterapia podem ser uma boa opção de controle da doença.

13) Qual é o prognóstico para os pacientes com tumores nas pálpebras?

O prognóstico para os pacientes com tumores pálpebras varia dependendo do tipo e do estádio do tumor. Em geral, os tumores removidos precocemente têm um prognóstico excelente, com taxas de cura muito altas, diferente de tumores avançados onde a remoção por completo fica comprometida.

14) O que é a cirurgia de Mohs para tumores nas pálpebras?

A cirurgia de Mohs é uma técnica cirúrgica proposta por Frederic E. Mohs em 1940, baseada no conceito de remover a lesão cancerígena e na sequencia remover as margens examinando as mesmas em microscópio e ampliando somente onde reatar tumor. É uma técnica especializada que pode ser utilizada para remover tumores nas pálpebras. É precisa e permite a remoção completa do tumor, enquanto preserva tanto quanto possível tecido saudável evitando remover tecido a mais do que precisa.

15) Quando pode ser indicado a técnica de Mohs?

A técnica pode ser utilizada tanto para tratar CBC quando CEC com objetivo de preservar o máximo de tecido são, favorecendo a reconstrução evitando maiores sequelas.

16) É possível prevenir os tumores nas pálpebras?

A prevenção dos tumores pálpebras inclui evitar a exposição excessiva ao sol, usar protetor solar na área das pálpebras, usar óculos de sol com proteção UV.

17) Quais são as recomendações para pacientes que apresentem alguma lesão que possa ser um tumor palpebral?

Inicialmente procurar um oftalmologista com experiencia em cirurgias de anexos dos olhos conhecida como cirurgia de oculoplástica. Após a consulta o profissional terá total condição de orientar e propor tratamento nos casos que estiverem indicado procedimentos cirúrgicos. Lembrando que o profissional estará habilitado a indicar a melhora técnica para cada caso.

18) Após o tratamento cirúrgico de tumores palpebrais como devem ser os acompanhamentos?

Após o tratamento, é importante realizar exames de acompanhamento regularmente para monitorar a saúde ocular e detectar qualquer recidiva ou metástase do tumor. As diretrizes da NCCN recomendam exames de acompanhamento regular com base no tipo histológico do tumor e no estádio do tratamento. É importante continuar seguindo as medidas de prevenção para evitar novos tumores.


Site recomendado:

https://www.nccn.org

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Dr. Victor Marques de Alencar

Dr. Victor Marques de Alencar

CRM 32760

CRM-MG 32760 - RQE 15077 - Ph.D pela FMRP-USP, Fellow em Oculoplástica no HCFMRP-USP, Oftalmologista pela SCM-BH, Prof. de Anatomia, Conselheiro CRM-MG. Trabalha com cirurgia de nexos dos olhos com ênfase e expertise em cirurgia de órbita e pálpebras. Experiência internacional (Canadá, Argentina, México, EUA e Itália).